Moeda Rara

2 Cruzados

 

Durante 60 anos os Filipes de Espanha, da Casa dos Habsburgo, governaram Portugal. Os princípios da ocupação espanhola foram definidos nas Cortes de Tomar, realizadas em 1581. Ficou reconhecida a autonomia do reino de Portugal, que teria as suas próprias instituições. Na cunhagem de moeda prometeu-se respeitar os valores nacionais e manteve-se o sistema monetário português independente do espanhol.

 

São escassas as moedas deste período que chegaram até aos nossos dias. As de ouro estão todas classificadas como extremamente raras e os três Filipes que exerceram o seu poder em Portugal mantiveram praticamente inalteradas as características das últimas cunhagens dos reis portugueses. A moeda de 2 Cruzados de Filipe II de Portugal (1598-1621) segue o mesmo tipo usado pelo seu pai (Filipe I de Portugal (1580-1598)) que iniciou as cunhagens das moedas de 2 e 4 Cruzados, que se manteriam até ao fim da ocupação espanhola.

 

Filipe II bateu moeda em Lisboa, Damão, Goa e Ceilão. Subiu ao trono de Portugal após a morte do pai e só por uma vez esteve em Portugal, em 1619. Os sucessivos governadores que ele nomeou para administrarem o reino em seu nome não deixaram grandes saudades. A sua principal missão foi reunir dinheiro para enviarem para Espanha. Este e outros episódios, como a perda das Molucas e a saída das feitorias no Japão ou a crescente perda de autonomia, aumentaram a contestação aos monarcas espanhóis, que culminaria com a recuperação da independência, em 1640.

A chegada dos Filipes ao trono de Portugal foi objeto das mais variadas teses e onde se cruzam alianças matrimonias e argumentos políticos e jurídicos. Tal como recorda Mafalda Soares da Cunha no terceiro volume da História de Portugal dirigida por José Mattoso, “a crise dinástica de 1580 constitui um dos momentos da História de Portugal que suscitou maior abundância de reflexões e controvérsia política”, adiantando que “a união das coroas peninsulares não deixou, no entanto, de constituir um dos desfechos previsíveis, se não mesmo desejados, da política de alianças matrimoniais entre as casas de Avis e a dos Habsburgo”.

 

Numa obra do investigador e professor espanhol Erasmo Buceta (tio avô de Jaime e Javier Salgado) – que, entre 1916 e 1954, leccionou Espanhol nas universidades de John Hopkins e da Califórnia, em Berkeley, nos EUA – relata-se que o monarca espanhol, que viria a ser Filipe I de Portugal, convocou uma junta de “notáveis” para debater a questão dos seus direitos à coroa portuguesa. O objetivo era encontrar argumentos jurídicos, mais do que políticos, que sustentassem as pretensões do monarca espanhol ao reino de Portugal. Neto de D. Manuel I, Filipe era, de facto, um dos mais bem colocados para assumir os destinos lusitanos.

 

Na História de Portugal coordenada por Rui Ramos pode ler-se que, naquela época, eram cinco os candidatos à coroa portuguesa e todos eles descendiam de D. Manuel I, “cuja linha primogénita com sucessão se extinguira com a morte de D. Sebastião”. Os candidatos eram Filipe II de Espanha (filho da filha primogénita de D. Manuel I), Manuel Felisberto (duque de Sabóia); Rainúncio (duque de Parma); D. Catarina (duquesa de Bragança pelo casamento) e D. António, prior do Crato.

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