Foi no seu reinado, em 1846, que se criou o Banco de Portugal. Resultou da fusão do Banco de Lisboa, um banco comercial e emissor, e da Companhia Confiança Nacional, uma sociedade de investimento especializada no financiamento da dívida pública. Apesar de ter enfrentado crises nas finanças públicas, conseguiu iniciar a grande reforma geral do ensino, criou os liceus, reorganizou as forças armadas, publicou uma nova lei eleitoral e dividiu o território nacional em 17 distritos e três ilhas adjacentes.

 

Nascida no Rio de Janeiro a 4 de abril de 1819, D. Maria II, que ficou conhecida para a história como A Educadora, chegou à Europa em julho de 1828 para fazer valer os seus direitos ao trono – em 1826 o pai abdicou da Coroa a seu favor e deveria casar-se com o seu tio, D. Miguel, que juraria a Carta Constitucional. O casamento não chegou a acontecer e D. Miguel acabaria por restaurar, durante algum tempo, a monarquia absoluta. Alexandre Herculano, Almeida Garrett e Camilo Castelo Branco foram alguns dos mais importantes autores portugueses que publicaram livros no período em que D. Maria II reinou.

Moeda Rara

Degolada

 

Revolução de setembro. Belenzada. Conjura das Marmotas. Revolta dos Marechais. Revolta do Arsenal. Maria da Fonte. Emboscada. A Patuleia. Regeneração. Todos estes nomes têm um ponto em comum: turbulência. “Traduzem-se” em revoltas, levantamentos, rebeliões e criação de movimentos políticos de curta duração. Todos ocorreram no reinado de D. Maria II (1829-1853), a primeira rainha constitucional, que só começou de facto a reinar a partir de setembro de 1834, após a morte do seu pai, D. Pedro IV. O seu reinado coincidiu com a chamada revolução liberal e entre 1834 e 1851 “houve pelo menos cinco golpes de Estado com sucesso e duas guerras civis (1837 e 1846-1847). As aflições financeiras também continuaram, à medida da contração do valor do comércio externo português”, refere a História de Portugal coordenada por Rui Ramos.

 

Mas a turbulência política e social vivida nos tempos de D. Maria II não a impediu de lançar algumas importantes reformas no país, desde a educação à economia. Ao nível da moeda adotou o sistema decimal, substituindo-se as Peças pelas Coroas. Nas moedas de ouro a que mais se destaca pela raridade é a Degolada, ainda uma Peça, cunhada em 1833 e que ficou para a história com este nome pois no anverso tem a cabeça da rainha sem busto. A rainha não terá gostado da moeda e mandou suspender a sua cunhagem, daí a sua raridade. D. Maria II mandou ainda cunhar, em ouro, a Coroa, Meia Coroa e Quinto de Coroa.

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