Moeda Rara

Peça 1821

 

Entre novembro de 1807 e julho de 1821 passaram-se factos inéditos na história mundial. Pela primeira vez um reino foi governado a partir de uma colónia. Pela primeira vez em quatro séculos um soberano europeu “pôs os pés em terras americanas” e ali viveu e reinou, como recorda Laurentino Gomes no seu livro “1808”. O protagonista destes acontecimentos foi a família real portuguesa e, em especial, D. João VI. Entre regente e rei governou de 1799 e 1826 e foi o primeiro rei constitucional do “reino unido de Portugal, Brasil e Algarves”.

 

Tudo começou em 1807, quando as tropas de Napoleão invadiram Portugal. A família real fugiu para o Brasil, de onde passou a governar o reino. “Uma fuga pura e simples, apressada, atabalhoada, sujeita a erros e improvisações. A pressa foi tanta que, na confusão da partida, centenas de caixas repletas de prata das igrejas e milhares de volumes da preciosa Biblioteca Real, entre outras coisas, ficaram esquecidos no cais de Belém, em Lisboa. A prata seria derretida pelos invasores franceses e recuperada pelos ingleses alguns meses mais tarde. Os livros só chegariam ao Brasil em 1811”, escreve Gomes no seu livro.

A doença da sua mãe, D. Maria I (1777-1799), levaria D. João a assumir a regência do reino entre 1799 e março de 1816, mês do falecimento da rainha na cidade do Rio de Janeiro.  Regressou a Portugal a 3 de julho de 1821, quase um ano depois da Revolução Liberal, no Porto, contra o “domínio” dos ingleses que, na prática, governavam o reino desde a saída dos franceses. Na viagem de regresso do Brasil o rei D. João VI teve de “jurar a nova Constituição, elaborada à sua revelia” e “teve ainda de aceitar algumas imposições, que na época da monarquia absoluta seriam inimagináveis”, afirma Laurentino Gomes. Quando chegou a Portugal enfrentou várias revoltas, algumas delas lideradas pelo seu filho, D. Miguel.

 

O rei cunhou moeda em Lisboa e no Rio de Janeiro. Entre essas cunhagens estão as Peças, em ouro, cunhadas nas duas cidades. Foram cunhadas Peças quer na capital portuguesa, entre 1818 e 1824, quer na cidade brasileira, entre 1818 e 1822. Entre as emissões mais raras está a da Peça 1821, de Lisboa. Esta data é extremamente rara, sendo conhecidos apenas 9 exemplares, os quais de uma maneira geral se encontram em excelente estado de conservação.

 

Nesta Peça 1821 pode ler-se, no anverso, a inscrição D. João VI, rei de Portugal, Brasil e Algarves, título que viria a desaparecer após a independência do Brasil, em 1822 – a Coroa portuguesa reconheceu-a oficialmente em 1825. Foi durante o seu reinado que, em Portugal, surgiu o Banco de Lisboa, a primeira instituição bancária no reino com funções comerciais e emissoras. Em 1846, este banco fundiu-se com a Companhia Confiança Nacional, dando origem ao Banco de Portugal.

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