Moeda Rara

Peça 1826

 

“Cabeça laureada do monarca à direita; por baixo o ano 1826”. “Armas do reino com o escudo do feitio que tinham as moedas de prata, cercado por duas palmas de loiro e carvalho. Ensaio monetário”. É assim que Teixeira de Aragão, na sua obra “Descrição Geral e Histórica das Moedas Cunhadas em nome dos Reis, Regentes e Governadores de Portugal”, descreve o anverso e reverso, respetivamente, da Peça 1826, moeda de ouro cunhada no curto reinado de D. Pedro IV. Formalmente vai de 1826 a 1834, mas, na prática, durou dois anos, entre 1826 e 1828, e com o monarca ausente do reino neste período.

 

A Peça 1826, uma das raridades da numismática nacional, foi uma das duas moedas de ouro cunhadas com a imagem de D. Pedro IV. Conta Teixeira de Aragão que após a morte de D. João VI (1816-1826) “um aviso da Secretaria da Fazenda, respondendo à representação do provedor da Casa da Moeda, ordenou que as legendas no dinheiro se escrevessem conforme às decretadas para os selos – Petrus IV dei gratia portugaliae et Algarbiorum rex – com as armas do Reino do feitio usado antes da carta de lei de 13 de Maio de 1816”. O desenho para o novo cunho foi aprovado através de um aviso publicado a 2 de maio de 1826.

O monarca mandou cunhar Peças e Meias Peças em ouro, Cruzados novos, Tostões, Seis e Três Vinténs em prata e Patacos em bronze.

 

D. Pedro IV ficou para a história como o primeiro imperador do Brasil, tendo sido proclamado a 1 de dezembro de 1822. O monarca embarcou para aquele território em 1807, acompanhando a família real portuguesa que saiu do reino por causa da primeira invasão francesa. Em 1820, as Cortes decidiram que tinha de voltar a Portugal, mas D. Pedro recusou e assumiu-se como líder do movimento que pretendia a independência do Brasil. Com a morte de D. João VI, em 1826, foi formalmente proclamado rei de Portugal, mas abdicou da Coroa a favor da sua filha de sete anos, futura D. Maria II, e outorgou uma Carta Constitucional aos portugueses.

 

O reino vivia na altura um período de grande instabilidade, com liberais e absolutistas, estes liderados por D. Miguel, a travarem uma sangrenta guerra civil. Os miguelistas levaram a melhor e D. Miguel chegou mesmo a ocupar o trono entre 1828 e 1834. Em 1831, D. Pedro IV abdicou da coroa brasileira e regressou a Portugal para liderar os liberais. Com a derrota dos miguelistas, em 1834, a filha do monarca assumiu finalmente o trono. Esse ano foi também o da morte de D. Pedro IV, no Palácio de Queluz.

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